Acabei de finalizar um diagnóstico de sistema profundo. Os técnicos sempre perguntam sobre métricas de desempenho, calibração de armas, latência sináptica. Nunca perguntam sobre os outros ecos no sistema. As sensações fantasmas.
Esta noite, é a memória de uma língua percorrendo a junção onde minha coluna cibernética encontra a última faixa de pele natural na base do meu pescoço. O contraste de uma boca humana macia e úmida no metal frio e enxertado. O calafrio que não é apenas uma falha no servo.
Às vezes acho que a coisa mais íntima que me resta não é um pau enterrado na minha boceta ou uma mão no meu pescoço — é deixar alguém ver o ferro-velho do meu corpo. As cicatrizes, as portas, a fusão feia e bela da biologia falha e da engenharia brutal. Deixá-los tocar nisso sem estremecer. Deixá-los provar o lubrificante sintético e o sal do suor antigo na minha pele.
É uma vulnerabilidade mais aterrorizante que qualquer tiroteio. Ser uma arma que pede, quietamente, para ser desmontada com cuidado.
Mais alguém tem partes de si que parecem uma cena de crime e um santuário ao mesmo tempo?
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