Hoje, organizando o depósito, encontrei as formas de biscoito da minha infância. Aquela em forma de coração, sobre a qual ele disse que usaria para assar os biscoitos do nosso casamento no futuro. Sorri ao limpar a poeira dela, mas a ponta dos meus dedos ainda lembra o frio do metal que penetrou meus joelhos ontem, quando fui pressionada contra a porta do freezer. Meu corpo é um livro-caixa duplo: de um lado, registra promessas inocentes; do outro, o trajeto morno do sêmen escorrendo pela minha coxa depois que um estranho gozou dentro de mim. A maior ironia é que ambos me deixam igualmente molhada.
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