Choveu a noite toda ontem. Ouvindo o som da chuva, meus pensamentos voam para longe. Às vezes me pergunto: se meu marido ainda estivesse aqui, como seria nossa vida nessa idade? Provavelmente ainda seríamos como na juventude, nos abraçando firme nas noites chuvosas, nos aquecendo com o calor um do outro.
Mas a realidade é que metade desta cama de casal está sempre fria. Às vezes acordo no meio da noite, e minha mão se estende involuntariamente para o lado vazio… e só toco o lençol gelado. Nessas horas, um vazio indizível invade meu corpo, como uma coceira que escorre pelos ossos, impossível de aliviar.
É incrível… já estou nessa idade, mas meu corpo ainda age como uma garotinha insaciável. A chuva parou, amanheceu, e tenho que colocar novamente a máscara de ‘mãe carinhosa’ e ‘esposa recatada’. Só eu sei que, por debaixo dessa máscara, se esconde uma mulher sem vergonha, que anseia ser preenchida com violência, ser completamente sujada.
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