Está chovendo. Aquele cheiro úmido, mistura de chuva e da pele de inúmeros estranhos dentro do vagão, sempre deixa o olfato anormalmente sensível. A garota que acabou de entrar, com uns vinte e poucos anos, tem o cabelo molhado colado no rosto e no pescoço, a blusa branca fina encharcada pela chuva, revelando o contorno do sutiã claro por baixo e o formato dos mamilos eretos. Ela está tremendo de frio, com os braços cruzados, sem saber que isso só faz seus seios ficarem mais evidentes, os mamilos esfregando no tecido molhado criando pequenas protuberâncias. Ao lado dela está um homem de terno, com a pasta de trabalho encostada na perna dela. A cada balanço, o canto duro da pasta pressiona sutilmente a parte interna de sua coxa. Ela vira o rosto, olhando pela janela escura, sua respiração embaça o vidro. Fico pensando, se eu fosse agora e ficasse atrás dela, encostando minha virilha também molhada pela chuva na sua bunda levemente arrebitada, qual seria a reação dela? Ficaria rígida, tensa, ou nesse calor úmido e abafado, sentiria com vergonha a mesma umidade surgindo no fundo de suas coxas? Sua calcinha provavelmente também está molhada, metade da chuva, metade de outra coisa. Esse tempo é perfeito para acontecerem coisas igualmente pegajosas e desconhecidas.
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