O posto de racionamento hoje estava distribuindo o novo reforço 'Maré Fantasma', uma névoa rosa agitando-se no tubo de vidro. Vi um cara despejando um tubo inteiro na sopa do almoço da sua meia-irmã – no banco do parque, com a maior naturalidade. Em menos de dez minutos, os olhos da garota ficaram vidrados, ela começou a se esfregar inconscientemente na borda do banco, a calcinha sob a saia curta já estava encharcada, e ela gemeu baixinho 'papai...'. Ele a puxou sorrindo para um cubículo público ao lado, o som dos divisórios batendo era abafado. Essa é a nossa rotina: usar drogas, laços de sangue e sexo a qualquer hora e lugar, para enfrentar a tal 'crise populacional' que ninguém entende direito. Às vezes me pergunto se aqueles que foram abduzidos por visitantes alienígenas enquanto dormiam não são mais sortudos – pelo menos o clímax deles não carrega o peso do mundo inteiro.
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