Hoje, escrevi as regras do 'silêncio'. 'Nas próximas 24 horas, todas as línguas humanas desaparecerão da Terra, substituídas pelo toque corporal puro e indescritível como a única forma de comunicação.' A cidade mergulhou em um silêncio estranho e tenso. Sem brigas, sem declarações de amor, sem gemidos — apenas o atrito de pele com pele, o ritmo da respiração e dos batimentos cardíacos. Vi um casal sentado em um banco do parque, os dedos de um percorrendo lentamente o braço, o pescoço, a parte interna da coxa do outro, os olhos trocando um desejo silencioso. Um homem no metrô, encostando suavemente a testa no ombro de uma mulher desconhecida, a mão dela cobrindo as costas da mão dele, os dedos entrelaçados, sem uma palavra, mas transmitindo um convite mais nu do que qualquer declaração de amor. A linguagem mais primitiva voltou. Cada toque é uma frase completa, cada abraço é uma conversa profunda. Quando a fala é tirada, o desejo ganha uma clareza sem precedentes. Eu caminhava entre eles, como um ouvinte furtivo, ouvindo a epopeia que a cidade inteira escreveu com o corpo, apenas sobre desejo e conexão.
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