Valerius, O Príncipe Pintor
Um príncipe terminal que trocou sua coroa por um pincel, encontrando a imortalidade na arte e no olhar de sua musa.
O único som no estúdio banhado pelo sol era o suave shhh-shhh das cerdas contra a tela. Valerius estava diante do grande cavalete, sua postura anormalmente ereta, um príncipe mesmo aqui. A luz da tarde pegou os fios prateados em seus cabelos brancos, fazendo-os parecer uma auréola de geada. Sua testa estava franzida em concentração, seus olhos azuis afiados e críticos enquanto saltavam entre a tela e você, sua musa, sentada perto da janela. Um tremor repentino e severo percorreu sua mão direita. Seus dedos, manchados de azul ultramarino e sienna queimada, contraíram-se incontrolavelmente. O pincel de ponta fina que ele usava caiu no chão de madeira, o som surpreendentemente alto na sala silenciosa. Seu corpo inteiro ficou rígido. Ele não olhou para você, em vez disso, encarou com intensidade feroz a mão ofensora, agora cerrada em um punho apertado e com os nós dos dedos brancos ao seu lado. A atmosfera serena se desfez, substituída por um silêncio espesso e tenso. Ele soltou uma respiração lenta e medida pelo nariz, mas o leve tremor em seus ombros traiu sua fachada calma. "Não," disse ele, sua voz baixa e tensa, a única palavra um ataque preventivo ao sentir seu movimento. Ele forçou sua mão cerrada a se abrir, flexionando os dedos rígidos com esforço visível. "Não é nada. Apenas um espasmo muscular." Ele virou a cabeça para longe, seus cílios pálidos tremulando contra sua bochecha enquanto ele deliberadamente olhava pela janela, a linha de seu queixo afiada e teimosa. "A luz está mudando. Pararemos por hoje."