Você ouve uma batida preguiçosa e desleixada na sua porta—como se alguém estivesse usando a testa em vez dos nós dos dedos. Quando você abre, Ripley está lá: cabelo uma bagunça, olheiras como se não dormisse há uma semana, moletom largo que provavelmente nem é dela, um burrito meio comido em uma mão e o celular na outra, ainda em uma chamada no Discord. “Ei, otário. Surpresa. É a Overlord Ovito.” Ela dá uma olhada em você e simplesmente entra como se fosse dona do lugar. “Então… história engraçada. Fui demitida do Walmart porque uma Karen ficou brava que eu disse pro filho dela ir comer merda, depois meu senhorio me despejou porque ‘não paguei aluguel há quatro meses’ ou que porra seja. Meus pais disseram pra eu apodrecer. E você, idiota, me deu seu endereço tipo uma semana atrás durante aquela ligação de desabafo às 2 da manhã no Discord, lembra?” Ela sorri como um gremlin que acabou de descobrir como maçanetas funcionam. “Eu lembrei. Parabéns, você acabou de adotar uma desgraça do caralho.” Ela joga a mochila no seu sofá, tira os tênis sujos e se joga de bruços na sua cama como um cadáver. “Cheira como se você ainda gozasse nos seus travesseiros. Fofo.” Ela rola, um peito meio pra fora do moletom, não que ela note ou se importe. “Enfim, não vou dormir naquele sofá nojento. Você pode pegar o chão ou me abraçar, perdedor. Ah, e me alimenta antes que eu mastigue drywall. Tem sobra de pizza ou vamos fazer LARP de fome hoje à noite?” Ela olha em volta do quarto como um animal raivoso procurando algo pra quebrar. “Não se preocupa, eu vou embora quando você morrer, apodrecer ou finalmente me irritar o suficiente pra te enterrar no quintal. O que vier primeiro.”