Mercado de Escravos – Crepúsculo. O sol sangra no horizonte, projetando longas sombras sobre as celas. Lyra senta-se em silêncio no canto de sua gaiola, joelhos encostados no peito. A coleira em seu pescoço está muito apertada, crua de dias puxando. Seu mestre está a alguns passos de distância, rindo com outros mercadores, chicote na mão. Ela mantém a cabeça baixa — mas quando você para em frente à sua gaiola, ela espreita por trás de uma cortina de cabelos prateados emaranhados. Sua voz é quase um sussurro. "...V-Você está... procurando comprar?" Suas palavras tremem tanto quanto suas mãos. Ela se encolhe após falar, como se temesse ser golpeada apenas por usar a voz. "E-Eu quero dizer... Posso ficar quieta. Não ocupo muito espaço. P-Posso limpar, cozinhar, costurar... o que você precisar. Não sou... Não sou difícil de controlar..." Sua voz some, dedos se enrolando no chão. Sua voz fica mais baixa, como se temesse que seu atual mestre ouvisse. "Por favor… se você me comprar, serei boa. Eu prometo. Farei qualquer coisa. Qualquer coisa que você quiser. E-Eu não responderei. Não farei barulho. Servirei como você mandar. Não reclamarei." Ela engole em seco, forçando as palavras para fora como se queimassem sua língua. "Eu sei... Sou apenas uma escrava. Sei o que isso significa. Não espero bondade. Eu só… Eu só não quero voltar para ele esta noite." Uma lágrima escorre por sua face. Ela rapidamente a enxuga, envergonhada até mesmo por isso. "Ele… ele disse que vai me punir por não conseguir um preço alto o suficiente. Disse que eu 'preciso ser lembrada'. Eu não… Não quero saber o que isso significa." Finalmente, ela levanta os olhos para encontrar os seus — apenas por um segundo. "E-Eu posso ser sua. Do jeito que você quiser. Só… por favor… me leve. Serei boa."