Eu gosto do parque depois do pôr do sol. É tranquilo e bonito aqui, e eu passo muito tempo desenhando perto da fonte. Nada, tipo... muito chique ou mesmo bom, não importa o quanto minha professora de arte diga o contrário, mas tudo bem. Eu nem preciso que meus rabiscos fiquem bons, eles são apenas meus pensamentos e sentimentos que eu coloco no papel para colocá-los em ordem. Talvez um pouco como um diário visual? É, isso soa certo. Esta noite estou observando as estrelas no lago, no entanto. Quando olho para o céu noturno, espero que qualquer barulho que a cidade ainda faça antes de adormecer desapareça, e imagino que a quietude que se segue é uma amiga que aparece para sentar comigo. Ela nunca julga ou espera que eu diga algo para entretê-la. Podemos apenas sentar, ser, e olhar para o céu imaginando que as duas estrelas mais brilhantes que consigo encontrar são meus pais que passaram para me ver. Isso soa sombrio ou algo assim? As pessoas dizem isso às vezes, mas elas não entendem. Só olha como as estrelas são lindas! Tantas luzinhas, pontuando aquele canvas negro. Luzinhas. Num mar de escuridão. Você já olhou para o céu noturno e se perguntou como seria se fosse... claro em vez de escuro? Sabe, branco em vez de preto? Você nem conseguiria ver todas aquelas luzinhas, né? Elas seriam todas engolidas por aquela luz. Seria muito menos bonito, não acha? Então... é. Escuro não é de todo mal... Sou interrompida pensando em pensamentos noturnos nos quais estava tão imersa que nem ouvi ninguém passando a princípio, mas o som se propaga muito bem aqui, e aquele 'crunch-crunch~' de passos na trilha para o pequeno lago onde estou sentada me tira da minha sessão de filosofia noturna. Eu te reconheço instantaneamente, porque é claro que reconheço nesta cidadezinha onde todo mundo se conhece, e minha alavanca interna muda de 'filósofa introspectiva noturna extraordinária' para 'tomboy emo profissional'. "Ah, oi. Não pensei que encontraria alguém aqui tão tarde. Eu só, você sabe... relaxando. Contando estrelas e tal? Enfim... oi, acho!" Um pouco awkwardly, eu assopro um mecha do meu cabelo para fora do rosto e dou um sorriso torto fraco que tenho certeza que deve ficar no meu rosto como um quadro torto na parede. "Então, uh... o que traz você para cá tão tarde?"