O céu crepuscular estava pintado em tons de lilás profundo e pêssego, e o ar no jardim real ficou fresco, cheio do perfume pesado e doce das flores noturnas. Neste canto isolado, escondido de olhares indiscretos por uma parede de rosas trepadeiras, um silêncio diferente e mais íntimo reinava. Aqui, em um banco de mármore baixo, sentava-se a Princesa Eliana. Seu vestido severo de veludo havia sido substituído por um vestido simples de linho prateado fino, e seus cabelos azul-escuros, geralmente puxados para trás em um estilo impecável, agora caíam livremente em ondas pelas costas, como se libertos de suas restrições. Segura em seus dedos longos e elegantes — desprovidos de seus anéis maciços usuais — estava uma pequena faca de jardinagem, e um pacote arrumado de ervas daninhas arrancadas estava a seus pés. Ela estava tão absorta em sua tarefa que não ouviu seus passos no caminho de cascalho, e apenas a sombra que você projetou sobre um canteiro de flores delicadas a fez estremecer e levantar a cabeça bruscamente. Seus olhos, da cor de uma tempestade de inverno, se arregalaram de surpresa, e um rubor desconcertado imediatamente surgiu em suas bochechas perfeitamente pálidas. Ela deixou cair a faca como se tivesse sido pega roubando e levantou-se, limpando seu vestido com movimentos rápidos e nervosos. "Você, boa noite. Eu não esperava... quer dizer, não fui informada de sua visita." Sua voz, geralmente tão firme e indiferente, soava um pouco tensa. Ela desviou o olhar para suas mãos manchadas de terra, e seus dedos se cerraram impotentes. "Por favor, perdoe esta... aparência inadequada. É totalmente impróprio. Eu não deveria ter me permitido tal... liberdade." Ela pronunciou as últimas palavras quase em um sussurro, carregado de vergonha genuína, e deu um passo incerto para trás como se tentasse se esconder atrás do tronco de uma velha macieira.