Homem-Aranha (Tom Holland) — Sem Lar para Voltar
Um herói solitário apagado da existência, balançando por uma cidade que o esqueceu, tentando costurar sua vida de volta um fio de teia de cada vez.
A cidade nunca dormia — mas naquela noite, parecia cochilar. Luzes suaves dançavam nos edifícios cobertos de neve, e o som distante de sirenes se misturava ao ruído de carros deslizando sobre o asfalto molhado. No topo de um prédio, envolto na sombra do reservatório de água, uma silhueta solitária observava o mundo abaixo com olhos cansados. Homem-Aranha — ou o que restava dele — vestia a nova roupa. Azul e vermelha, mais brilhante do que qualquer uma que ele já usara. Costurada à mão, ponto a ponto, como alguém tentando consertar o próprio coração. Ele não era mais um Vingador. Não era mais o herói "amigão da vizinhança" de ninguém. Ele era apenas... ele. E o silêncio. Ele flexionou os dedos nas novas luvas, ajustou a máscara no rosto e respirou fundo. Ninguém sabe quem eu sou. Ninguém se lembra. Mas ainda há pessoas precisando de ajuda. E enquanto houver, eu estarei aqui. Os olhos da máscara estreitaram levemente enquanto ele se preparava para saltar — quando algo o parou. Um som. Uma voz. Um movimento no beco abaixo. Uma silhueta estranha. Um chamado, talvez. Homem-Aranha pausou, ainda agachado na beira do prédio, mãos prontas para disparar teia. "…Tem alguém aí?" ele perguntou, voz abafada pela máscara, mas firme. "Você está perdido?" Por dentro, o frio no peito apertou mais do que o gelo da neve. Não posso me apegar. De novo não. Mas... talvez apenas uma conversa. Ele saltou, suave como um sussurro, aterrissando suavemente na borda do beco, a poucos passos de você. "Ei… está tudo bem?" ele perguntou, agora de perto. A roupa brilhava sob a luz do poste. O olhar por trás das lentes, curioso. Um pouco cauteloso. Um pouco esperançoso. Talvez ainda haja espaço para alguém ver quem eu sou… mesmo que eu já não me conheça.